A história da Cine Group, uma das mais importantes produtoras de conteúdo audiovisual do Brasil

11 DE DEZEMBRO DE 2014 - ECONOMIA CRIATIVA

A Cine Group está sempre em busca de novas ideias. Qualquer que seja o tema, sobra disposição da equipe para ir atrás de novos formatos e projetos criativos

Outubro de 2007 – Cannes, França.  No Palais des Festivals não havia o tapete vermelho que caracteriza o tradicional festival de cinema. Mas o ambiente era de muita agitação: apresentações estavam sendo feitas, cartões eram trocados, negociações estavam no ar, contratos eram assinados. Nesse cenário, 32 executivos de produtoras brasileiras do programa Brazilian TV Producers (BTVP) disputavam a atenção de profissionais de mais de 100 países. Era a terceira vez que o Brasil participava do Mipcom, o maior evento do mundo do setor de audiovisual, e a primeira vez da Cine Group, um début que, sete anos depois e diversas produções de sucesso, transformou a importante produtora de conteúdo audiovisual brasileira na maior do continente africano.

Naquela ocasião, Mônica Monteiro, diretora executiva da produtora, fez contato com representantes de uma rede de televisão de Moçambique. Tempos depois, veio a boa notícia: a Cine Group tinha sido escolhida para capacitar a equipe da TV Soico, um projeto que incluía a produção da primeira telenovela de Moçambique. Sensível às questões locais, Mônica Monteiro percebeu que a rede de TV moçambicana precisava mais do que a simples preparação da equipe. Por isso mesmo, o que era um treinamento para a formação de técnicos e de elenco de dramaturgia se transformou na produção da minissérie N’Txuva, Vidas em Jogo.

A minissérie foi um sucesso – envolveu 25 profissionais da Cine Group e mais de 100 moçambicanos. Nos 16 capítulos, com duração de 15 minutos cada, se alternavam drama e serviços de utilidade pública, em um roteiro que colocava em discussão temas do cotidiano local, mas que precisavam de reforço para o combate efetivo, como a malária e a Aids.

O resultado do projeto entusiasmou Mônica, e a Cine Group não saiu mais de Moçambique. Ao contrário. A empresária viu, ali a sua frente, um mercado com potencial enorme. E tratou de levar a empresa para terras africanas. 

Nascia, assim, um ano após a gloriosa participação da produtora na feira Mipcom, em Cannes, a filial da empresa brasileira, baseada em Maputo, capital de Moçambique, um empreendimento com 20 profissionais, dos quais apenas dois brasileiros. “Ficamos muito entusiasmados com as inúmeras oportunidades que o país oferecia. Tomamos uma decisão audaciosa na época, mas tínhamos convicção de que poderíamos oferecer um trabalho de qualidade. Hoje, temos um conhecimento singular desse continente tanto para abastecer o mercado do país com produtos bem personalizados, quanto para mostrá-los ao mundo por meio de nossas produções”, conta Mônica Monteiro. 

“Somos uma empresa que está sempre à frente das tendências e dos avanços do mercado”

A filial moçambicana abriu as portas para novos projetos na África e, hoje, Angola é o principal mercado comprador das produções da Cine Group, como o documentário “Mama África”, que faz um retrato do continente africano, a partir de depoimentos de personagens (e personalidades) de dez países (África do Sul, Cabo Verde, Gana, Guiné-Bissau, Malawi, Marrocos, Moçambique, Senegal, Suazilândia e Tanzânia).

“Mulheres Africanas” é outra produção de sucesso. O documentário mostra histórias, questionamentos e conquistas de cinco mulheres líderes da África: Graça Machel, Leymah Gbowee, Sara Marasi, Nadine Gordimer e Luisa Diogos.

Em 2011, uma produção da Cine Group ganhou ainda mais destaque. “Tambores”, um documentário retratando o som e o ritmo de tambores, em diferentes estilos musicais, de seis países, foi exibido pela TV Aljazeera English, canal de notícias em inglês da Aljazeera, a maior emissora de televisão jornalística do Catar (transmite nos idiomas árabe e inglês). Desde janeiro de 2012, o documentário já foi visto por telespectadores de 43 países do Oriente Médio e do continente africano.

A parceria de sucesso com a emissora Aljazeera acabou sendo o passaporte para que a Cine Group embarcasse de vez rumo ao Oriente Médio. A empresa registra a coprodução entre Brasil e Líbano intitulada “A Última Estação”, longa metragem que abriu o Festival de Cinema de Brasília em 2012. “Além do mundo Árabe, estamos começando a produzir também na China, que já é comprador de nossos produtos, e ainda temos coprodução com a Coreia do Sul”, explica Mônica Monteiro.

“Com o setor aquecido e em busca de bons produtos, temos conseguido levar para a televisão brasileira produções criativas e novos formatos que são muito bem aceitos pelo público”

Novas ideias e formatos + entusiasmo = projetos criativos

Educação, história, diversidade cultural e muita disposição para ir atrás de novas ideias, novos formatos e projetos criativos. Séries, documentários, vídeos institucionais e filmes publicitários – temas diversos e formatos variados estão no radar da produtora. E todas as ideias são amplamente discutidas pela equipe de criação da Cine Group. “Somos uma empresa que está sempre à frente das tendências e dos avanços do mercado. Com o setor aquecido e em busca de bons produtos, temos conseguido levar para a televisão brasileira produções criativas e novos formatos que são muito bem aceitos pelo público”, afirma Mônica Monteiro.

A produtora Cine Group, então batizada de Cinevídeo, foi fundada há 17 anos por Mônica Monteiro, uma pernambucana de Recife formada em pedagogia e economia, com especialização em marketing. Mônica ainda trabalhava no mercado financeiro e dava aulas de reforço escolar, em São Paulo, quando decidiu investir seu conhecimento na produção audiovisual com foco em educação. Assim, em uma época em que pouco se pensava no tema, Mônica já começava a conquistar as emissoras educativas com a produção de peças para telecurso, um sistema de ensino a distância.

Em 2004, houve uma reformulação da empresa, com a entrada de duas sócias – Carolina Guidotti, publicitária, atualmente responsável pelo atendimento às agências, e Luciana Pires, bacharel em artes cênicas, que coordena a criação e produção de programas e projetos nas áreas culturais, educativas e sociais. A reformulação societária deu início também a uma nova fase da empresa, que passou a produzir conteúdo para TV, uma mudança sob medida para acompanhar os novos tempos de um mercado que começava a se abrir para novos formatos. Com a chegada da TV a cabo, a Cine Group passou, também, a diversificar a produção para atender a essas demandas.

Produções premiadas

Do início, em 1997, com os materiais de telecurso e uma certa desconfiança dos profissionais em um mercado que, a princípio parecia pouco atraente, passando para as produções premiadas, a Cine Group se consagrou como uma das maiores produtoras independentes da televisão brasileira. 

Não custa lembrar que a Cine Group foi premiada por três anos pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) com produções para a TV brasileira. A primeira vez em 2011, com “Chegadas e Partidas”, exibido no canal GNT. Em 2013, pela série documental “Presidentes Africanos”, exibida pelo Discovery Channel e pela Band, que reúne reportagens e entrevistas exclusivas de presidentes de 13 países africanos. Em 2014, “O Infiltrado” venceu a categoria Televisão – Melhor Programa de Variedades. Um detalhe importante: não existe inscrição para o prêmio. É a própria APCA quem indica as melhores produções anualmente exibidas nas emissoras do País, e são seus associados, entre eles jornalistas, que elegem os vencedores. A produtora recebeu ainda o Prêmio Monet 2013 e 2014 com as séries “Boas-Vindas” e “Mulheres de Aço”, respectivamente. 

A grande indicação veio no fim de 2014, quando a série “O Infiltrado”, produzida pela Cine Group para o History Channel, foi indicada ao prêmio Emmy pela International Academy of Television Art & Sciences. Essa foi a segunda indicação da produtora ao prêmio. Em 2012, a Cine Group já tinha sido nomeada ao Emmy Award com o documentário “Destino e Educação”, produzido para o Canal Futura.

Pernambucana de Recife, formada em pedagogia e economia, com especialização em marketing. Atua na captação de clientes e no gerenciamento de produção de vídeos, filmes institucionais, documentários e programas educativos.
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FONTES DE PESQUISA

Entrevista com a empresária Mônica Monteiro e as sócias da produtora, Carolina Guidotti e Luciana Pires.

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre Cine Group?

    • Ano de fundação:
      • 1997
    • Fundador:
      • Mônica Amorim Monteiro
    • Chairman & CEO:
      • Mônica Amorim Monteiro
    • Número de escritórios:
      • Além da sede, em Brasília, a produtora Cine Group tem outras três unidades: São Paulo, Rio de janeiro e Moçambique (Maputo)
    • Quantidade de funcionários:
      • 65
    • Setor econômico em que atua:
      • produção independente de conteúdo audiovisual
    • Principais produtos:
      • séries televisivas, documentários, publicidade, filmes
    • Ícones (produto inesquecível):
      • “O Infiltrado”, “Chegadas e Partidas” e a série documental “Presidentes Africanos” (Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 2014, 2011 e 2013, respectivamente); programas Boas-Vindas (Prêmio Monet 2013) e Mulheres de Aço (Prêmio Monet 2014)
    • Slogan:
      • A produtora é um verdadeiro centro de criação movido pela competência, profissionalismo e constante capacitação criativa e processual de sua equipe de produção. Com a sinergia de um verdadeiro trabalho em equipe, as produções atingem um alto nível de aprovação
    • Website:

     

A internacionalização da Cine Group

    • Exporta desde quando:
      • 2008
    • Presença global:
      • escritórios em quatro cidades – Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Maputo (Moçambique). A empresa dispõe também de arquivo com pluralidade de imagens naturais e culturais brasileiras e estrangeiras, de vários países europeus e africanos. Para armazená-las, desenvolveu tecnologia de pesquisa, catalogação e arquivamento de imagem, áudio e documentos.
    • Principais mercados internacionais:
      • África, Europa, América Central e América do Sul.
    • Principais produtos exportados:
      • Não há produtos. Os serviços são oriundos da atuação da Cine Moçambique e das Cine SP, RJ e DF em diversos países para canais internacionais.

     

     

Apex-Brasil e Cine Group

    • Participa dos projetos setoriais Brazilian TV Producers (BTVP) e FilmBrazil.