BRF Brasil Foods: tocar uma empresa global é o grande desafio de Claudio Galeazzi

17 DE JULHO DE 2014 - ALIMENTOS E BEBIDAS

A junção de dois gigantes do setor de alimentos criou novas oportunidades para produtos brasileiros conquistarem o mundo

Ele não tinha ideia do que aconteceria na sua vida quando começou como vendedor. “Isso foi há mais de meio século. Comecei com uma pastinha debaixo do braço, vendendo produtos químicos para empresas. Tive muita sorte porque galguei a hierarquia da empresa e cheguei a diretor geral da multinacional aqui no Brasil”, lembra Claudio.

“A BRF já está no mercado internacional. É hora de buscar presença física, uma vez que podemos ter fornecimento de matéria-prima, industrialização e distribuição locais, além de desenvolvimento da marca em mercados específicos”

Claudio Galeazzi é conhecido pelas transformações que realiza nas empresas por onde passa. “Passei por diversas companhias, até que comecei a realizar o que se conhece como turnaround, ou seja, trabalhar na transformação e no repensar da gestão de empresas, como Pão de Açúcar, Lojas Americanas, Artex, Mococa e etc. Também estive como sócio e membro do conselho de administração do BTG”, lista.

Atualmente, Claudio é o CEO Global da BRF Brasil Foods, empresa criada em 2009, após fusão de dois gigantes brasileiros do setor alimentício, a Sadia e a Perdigão. “A BRF está no processo de se globalizar, já é a terceira maior exportadora brasileira. A empresa cresceu muito e esse momento de integração é sempre um período muito difícil, afinal juntamos duas concorrentes que eram bem agressivas”, comenta Claudio. Para ele, agora é o momento de repensar, rever a trajetória e projetar novos caminhos. Apesar de difícil, Claudio acredita na força deste momento. “Temos um potencial de crescimento e uma situação financeira robusta que nos permitem pensar em crescer ainda mais. Nós temos presença em vários mercados, mas ainda temos o resto do mundo para conquistar. Essa é a hora de nos projetarmos”, comenta.

Para ele, gestão é o grande diferencial. “Uma boa gestão procura apresentar soluções e ser ágil. Na medida em que você tem uma gestão adequada, as empresas vão bem, mesmo na crise. E muitas vezes conseguem evoluir muito mais em uma crise do que em uma situação normal”, ensina. Segundo Claudio, é necessário saber delegar e empoderar os colaboradores: “Cortar custos não é a única solução. Ampliação da participação de mercado, duplicação das ações, melhora das condições de trabalho são outros fatores de sucesso. Só cortar custos pode momentaneamente trazer bons resultados, mas não são duradouros. Tem muito mais dentro de uma empresa: tem que promover, tem que estimular, tem que dar oportunidades para que os mais jovens também atinjam o topo da carreira”.

INTERNACIONALIZAÇÃO

Sadia e Perdigão tiveram histórias que se cruzaram em muitos momentos. As duas empresas tiveram origem em Santa Catarina. A Perdigão foi criada em 1934 e ficou mais voltada para o mercado interno. Já a Sadia nasceu em 1944 e, após 25 anos de história, passou a exportar seus produtos. Ambas tiveram papel bastante significativo no desenvolvimento do setor alimentício do país e, no decorrer dos anos, foram crescendo por meio de aquisições de novas marcas. Juntar as duas empresas criou uma multinacional brasileira com capacidade para expandir seus limites para novos mercados. Hoje, um dos principais objetivos da BRF é se tornar uma empresa global.

“Só cortar custos pode momentaneamente trazer bons resultados, mas não são duradouros. Tem muito mais dentro de uma empresa: tem que promover, estimular e dar oportunidades para que os mais jovens também atinjam o topo da carreira”

Na visão de Claudio, o mercado internacional se afunila cada vez mais e a concorrência está cada vez mais acirrada. A estratégia para encarar essa realidade é a busca permanente por excelência e pelo conhecimento cada vez mais profundo sobre o setor, já que ser exportador de commodities acaba sujeitando a empresa a condições flutuantes. “Nós já estamos no mercado internacional e agora é hora de buscar presença física em vários lugares do mundo. Isso facilita, uma vez que podemos ter fornecimento local de matéria-prima, industrialização e distribuição de produtos também locais, além de desenvolvimento da marca em mercados específicos. O mercado do Oriente Médio está servindo para nós como um futuro a ser perseguido. Temos uma participação de dois bilhões de dólares (em um mercado que movimenta 12 bilhões) e que vai ser reforçada com a construção de uma unidade fabril nossa. Presença mais forte e mais eficiente, que busca ampliar nossa participação no mercado”, explica.

DESAFIOS PARA O FUTURO

Os desafios para o futuro ainda são muitos. Mas para Claudio, o principal é organizar bem o time e a casa nova. E, para isso, ele acredita que a melhor ferramenta é a meritocracia. “É uma forma de reconhecer a entrega das metas estabelecidas entre as partes. Todo executivo, por natureza, tem que viver dentro deste mundo de busca e entrega de resultados. A meritocracia motiva as pessoas a buscarem a realização das metas. Mas tem outras coisas importantes: um ambiente agradável de trabalho, por exemplo, motiva tanto quanto a busca da realização financeira”, comenta.

Claudio se utilizou de uma fórmula para a busca do sucesso. “A primeira coisa que fiz foi reconhecer as minhas limitações. Ao fazer isso, busquei me cercar de profissionais que me complementassem e mostrassem os caminhos a serem seguidos. O sucesso sempre está no relacionamento com as equipes que você tem”, ensina. Outra questão importante para ele é planejar, não só a carreira, mas a vida: “O mundo é muito competitivo, mas a gente não pode perder a vida pessoal em função da ambição de crescimento. A busca do sucesso deve ser paralela e complementar à vida particular”.

Além disso, aceitar as mudanças que ocorrem no meio do caminho é fundamental. “Temos sempre que repensar a vida, ter novos objetivos, não deixar de buscar, não desistir. É importante o equilíbrio em tudo que decidimos fazer”. E finaliza com uma lição de dedicação: “Na busca do sucesso e da realização, todos nós devemos ter muita paixão. Tudo na vida que é feito com paixão costuma dar certo. E mais: ter determinação, foco e ser comprometido com tudo aquilo que você vê dentro da empresa. Eu vejo que esta empresa está em um momento excepcional, nós estamos exatamente no momento de repensar, com grandes possibilidades e oportunidades. Eu me alinhei com este futuro. Eu abracei e visto a camisa”.

Claudio Galeazzi é CEO Global da BRF S.A. Ao longo de sua carreira atuou na reestruturação de grandes empresas. Claudio acredita que “tudo na vida que é feito com paixão costuma dar certo”.
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FONTES DE PESQUISA

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre BRF Brasil Foods?

    • Ano de fundação:
      • Em 2009 foi anunciada oficialmente a associação entre Sadia e Perdigão, que resultou na criação da empresa que hoje conhecemos como BRF
    • Fundadores:
      • A empresa foi fundada a partir da união de outras duas companhias, Sadia e Perdigão, fundadas respectivamente por Atílio Fontana e Saul Brandalise
    • Chairman & CEO:
      • Abílio Diniz é o Presidente do Conselho de Administração da BRF (Chairman), e Claudio Galezzi é o CEO Global da BRF
    • Presidente:
      • Sérgio Fonseca é o Diretor-Presidente Brasil e Pedro Faria é o Diretor-Presidente Internacional
    • Número de fábricas:
      • 49 fábricas e 28 centros de distribuição em todo Brasil; 9 unidades industriais na Argentina; 2 fábricas na Europa (Inglaterra e Holanda); 22 escritórios comerciais; em construção, primeira fábrica no Oriente Médio, em Abu Dhabi
    • Quantidade de funcionários:
      • Cerca de 110 mil
    • Setor econômico em que atua:
      • Alimentos
    • Principais produtos:
      • Carnes (aves, suínos e bovinos), alimentos processados de carnes, lácteos, margarinas, massas, pizzas e vegetais congelados, com marcas consagradas como Sadia, Perdigão, Batavo, Elegê, Qualy, entre outras
    • Ícones (produto inesquecível):
      • Nuggets®, pizza congelada, Chester®, peru congelado, lasanha congelada 
    • Website:

A internacionalização da BRF Brasil Foods

    • Exporta desde quando:

    2009 (Sadia exporta desde 1967)

    • Valor exportado:

    Estimativa de 10 bilhões por ano; 2,5 milhões de toneladas, apresentando crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior

    • Presença global:

    Mais de 110 países

    • Principais mercados internacionais:

    Argentina, Europa, Oriente Médio

Apex-Brasil e BRF Brasil Foods

    • Projetos da Apex-Brasil dos quais já participou:
      • Projeto Setorial ABEF: 2012-2014, Projetos Setoriais ABIEC, desde 2010 até 2016, Projeto Setorial ABIPECS: 2012-2013, Feira GULFOOD 2013, Missões Comerciais 2011, Projeto Comprador APAS, Projeto Grand Prix 2013