FANEM: a história de vida (e de salvar vidas) de Djalma Luiz Rodrigues

02 DE OUTUBRO DE 2014 - SAÚDE

A multinacional brasileira, pioneira na fabricação de equipamentos médicos e de laboratório, é o propósito de vida de Djalma e a marca da parceria com a esposa Marlene Schmidt

É um misto de carinho e orgulho. As páginas são passadas lentamente e cada detalhe da história é lembrado. Histórias que se misturam e que se complementam. História de uma, de várias vidas.

Sim, sim. Ele é um empresário. Com todas as características que um homem de sucesso possui: extremamente dedicado, com visão, organizado, focado em objetivos. Em um tour rápido pela fábrica, dá pra perceber que o processo é completamente dominado por ele, desde o começo, até o envio dos equipamentos para os compradores internacionais. “É preciso verificar se este endereço está correto”, pede para um dos funcionários, enquanto mostra todos os detalhes do grande parque industrial. 

“A Fanem é um exemplo bem verdadeiro de que o trabalho de se preservar a vida humana só pode ser feito com muita competência e dedicação”

Djalma já conhece muito bem o mundo dos negócios. Começou na década de 1960 e passou por todas as áreas da empresa. Foi do almoxarifado a vendas – área em que estabeleceu um método para organizar todos os dados da empresa. De vendas a compras e a visão de negócios transparecia cada vez mais: “Eram os anos de 1970 e eu falei pro meu sogro que não tínhamos dinheiro para pegar em banco. Então, decidi economizar 30% nas compras e com esse dinheiro nós construímos essa fábrica de Guarulhos”. Depois disso, passou também pelo marketing. Aliás, área que gosta e até hoje faz questão de dar suas opiniões. Slogans são criados naturalmente por Djalma. Acredita ele, tem a ver com sua formação em Administração. Mas a observação faz chegar à outra conclusão: tem a ver com como ele vê a vida e como entende sua missão no mundo. “Para estar entre os grandes, tem que cuidar bem dos pequenos” é uma das frases que criou.

“Tem aquela que eu gosto muito também: ‘importante demais para perdê-los’. Quando eu falo essa frase, eu quero dizer que às vezes a gente encontra nos hospitais crianças que poderiam ser salvas e não são porque o lugar não possui equipamento adequado. Esses pequenos são importantes demais, não podemos perdê-los. E com nossos equipamentos, temos ajudado África, América Latina, Ásia, Brasil. Nós estamos presentes em 110 países e temos casos relevantes para contar de salvamentos incríveis. Quase 85% da população brasileira nascem em equipamentos Fanem”, fala orgulhoso.

Djalma Luiz Rodrigues é diretor executivo da Fanem, multinacional brasileira pioneira na fabricação de equipamentos médicos e de laboratório. A empresa foi fundada em 1924 por Arthur Schmidt que, com apoio do filho Walter Schmidt, introduziu técnicas e metodologias inovadoras. Nos anos 1940, a Fanem já era líder de mercado no Brasil e desde então se mantém em destaque, sendo a pioneira no lançamento de diversos produtos, como a primeira incubadora brasileira; o primeiro berço de calor radiante do Brasil; a primeira fototerapia microprocessada do mundo; e muitas outras inovações que marcaram a história da neonatologia brasileira.

A última aposta foi em um equipamento de ponta, o estado da arte na neonatologia. Duetto é o primeiro equipamento brasileiro com funções híbridas para o tratamento neonatal e opera tanto como Incubadora, quanto como Unidade de Calor Irradiante. Duetto trouxe inovações na maneira de cuidar de prematuros e recém-nascidos e, além disso, é capaz de reduzir riscos de infecções e contaminações. “A concepção da Incubadora e Unidade de Terapia Intensiva Híbrida Duetto é o maior avanço tecnológico dos últimos tempos na área neonatal. Tanto é fato que somente os Estados Unidos, o Japão e agora o Brasil dispõem de um produto desta categoria. Nenhum outro equipamento é tão completo e com tantos diferenciais quando se trata de tecnologia neonatal”, explica Djalma.

Mas o Duetto é muito mais que isso. Talvez seja a palavra que defina toda essa trajetória. É o resultado de uma história de amor entre duas pessoas. Um amor tão grande, que se disseminou na família, na forma de trabalhar, até chegar aos cuidados especiais com pequenos indefesos no mundo inteiro. “Duetto é o presente que eu dou a Marlene pelo reconhecimento da nossa parceria. O nome Duetto é porque além de ter essa dupla função, ele foi o último projeto que fiz com a minha esposa, que faleceu há dois anos”, comenta Djalma.

Djalma casou com Marlene Schmidt em 1961 e no ano seguinte foi convocado pela família da esposa a participar do “projeto Fanem”: “Eu não conhecia nada de medicina. Ia fazer o curso, cheguei a prestar vestibular no Paraná e, como fui reprovado em física, pensei: se fico para fazer a faculdade de medicina no Paraná, perco a minha noiva em São Paulo. Aí, resolvi não perder a noiva e acertei em cheio, não é”?

“Em 2012, eu estava completando várias bodas de ouro... 50 anos de casado com a dona Marlene, 50 anos de Fanem, 50 anos de ABIMO [Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios]. Mas em abril de 2012, eu perdi minha esposa...”, comenta com a voz embargada. Mas logo continua o passeio pelas páginas dos livros e materiais que contam a história da empresa e se atém, com orgulho, a uma foto: “esta é a minha filha, Karin Schmidt Rodrigues Massaro, doutora em medicina. Hoje, ela forma uma dupla comigo e substitui um pouco o papel da mãe”. 
 
Para Djalma, a história da Fanem se confunde com a história da medicina no Brasil. “Tem uma história bonita da Fanem com a equipe do Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro, tentando solucionar o problema da sífilis na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1920. Depois, os primeiros clientes da Fanem... No Museu do Instituto Butantã, está exposto, na mesa do pesquisador Vital Brasil, o material que ele usava para suas pesquisas. No Instituto Biológico, construímos equipamentos que estão lá até hoje. Instituto Adolfo Lutz, Escola Paulista de Medicina, Santa Casa... Todas as faculdades de medicina começaram com equipamentos Fanem. É muito difícil encontrar um médico formado em medicina que não tenha passado por nossos equipamentos, tanto na área de laboratório, quanto na área neonatal. Por duas vezes, nós ganhamos a concorrência de fornecimento de materiais para hospitais universitários. Isso nos dá muito orgulho”, conta.

Djalma também lembra das dificuldades. “A Fanem produzia as primeiras centrífugas no país e aí começamos a perder a concorrência para a Pyrex, empresa que tinha um vidro novo para esses equipamentos. O nosso diretor da época passou então a usar retalhos de tubos fluorescentes de neon e com isso conseguimos substituir o material da Pyrex. Nossa centrífuga acabou ficando mais famosa por causa da alternativa inovadora, que é uma constante busca em todos os trabalhos da Fanem”, relembra.

“Nós estamos presentes nas vidas das pessoas. Ajudamos a salvar crianças no mundo inteiro” 

Inevitavelmente, enquanto fala da sua vida, Djalma volta para a história da empresa. “Elas se misturam”, explica. Durante a conversa, Djalma mostra, com orgulho, vários dos equipamentos criados ali, dentro daquele grande galpão: “Então nós estamos presentes nas vidas das pessoas, das mais simples até as mais importantes. Salvamos vidas de crianças de 360 gramas, por exemplo, que é o peso desse seu gravador de voz”, aponta para o aparelho, em cima da mesa, e continua: “Nasceu o Artur, com 384 gramas; depois nasceu a Ana Júlia, com 365 gramas; e a Carolina, que é recorde do Brasil, com 360 gramas. Nós salvamos essas crianças, estão todas lindas e fortes, tratadas com equipamento Fanem. Olha só o tamanho do pezinho desse aqui”, fala, orgulhoso, mostrando a foto de um dos bebês que foram tratados pelos equipamentos.
 
EXPORTAÇÃO

Marlene Schmidt e Djalma Luiz Rodrigues levaram a Fanem para o mundo, rumo à expansão no mercado internacional, nos anos de 1970. Em 2010, a empresa se tornou a primeira brasileira do setor a abrir uma fábrica na Índia. E, complementando a estratégia de ampliação, inaugurou, em 2011, um escritório em Amã, na Jordânia, principal canal da empresa para o Oriente Médio.

São mais de dez anos de exportação, com 100 milhões de vendas para o mercado externo, presença em 110 países. “Isso significa um trabalho executado, uma semente plantada. A fototerapia do Bilitron [nome de um dos produtos], por exemplo, é uma tecnologia exclusiva brasileira criada pela Fanem, reconhecida pelo Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos, e usada em vários hospitais referenciados do mundo todo”, conta Djalma. Além disso, a Fanem também produz e exporta equipamentos neonatal, laboratorial e de biossegurança para diversos países. 

Djalma comenta a importância que a empresa dá ao atendimento pós-venda. “Tem que ser constante. É impossível vender equipamento eletro-médico sem dar assistência técnica posterior. A média de utilização deveria ser de cinco a dez anos, mas nossos equipamentos duram 30 anos ou mais. Isso é bom e ruim, porque conseguimos fixar a imagem de duradouro, mas por outro lado a defasagem tecnológica é uma coisa muito volátil no nosso setor. É preciso estar sempre atualizado”, explica. 

Ele também fala do Centro de Estudos, idealizado por Marlene e hoje dirigido pela filha Karin. Criado em 2003, o principal objetivo é promover o intercâmbio e conhecimento entre a indústria e o corpo científico. “Ele tem uma função de ligação entre a empresa e o usuário, trazendo inclusive estudos clínicos para o conhecimento da empresa, ajudando os profissionais de saúde a realizarem os seus programas de protocolos, de mestrados e de doutorados nas áreas que estamos atuando. A Fanem participa da complementação na formação do médico e do enfermeiro”, observa.

SEGREDO DO SUCESSO

Direto e reto, Djalma explica o que entende como segredo do sucesso: “Primeiro, tem que fazer aquilo que você gosta; segundo, tem que acreditar no seu objetivo; terceiro, não pode baixar a guarda; quarto, colocar o pé na estrada e acreditar. Por meio da exportação – que acontece até hoje com o auxílio da Apex-Brasil – conseguimos vislumbrar que nós éramos muito mais capazes. Estamos representando muito bem a bandeira brasileira. Acredito, sim, que o país está no caminho do sucesso. E a Fanem é um exemplo bem verdadeiro de que o trabalho de se preservar a vida humana só pode ser feito com muita competência e dedicação”, finaliza.

Djalma Luiz Rodrigues é presidente executivo da Fanem e se orgulha em saber que os equipamentos produzidos no parque industrial de Guarulhos salvam vidas e levam esperança mundo afora.
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FONTES DE PESQUISA

Entrevista, ao vivo e em cores, realizada na fábrica da Fanem, com Djalma Luiz Rodrigues, Diretor Executivo da Fanem.

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre Fanem?

    • Ano de fundação: 
      1924
    • Fundador: 
      Arthur Schmidt
    • Presidente Executivo: 
      Djalma Luiz Rodrigues
    • Presidente do Conselho:
      Karin Schmidt Rodrigues Massaro
    • CEO:
      Dorgival Soares da Silva
    • Número de fábricas: 
      3 fábricas, sendo duas no Brasil e uma na Índia; 2 escritórios comerciais, sendo 1 em São Paulo e outro na Jordânia.
    • Quantidade de funcionários: 
      300 funcionários
    • Setor econômico em que atua: 
      equipamentos médico-hospitalares e de laboratório.
    • Principais produtos: 
      incubadoras neonatais, berços aquecidos, UTI neonatais, estufas, centrífugas, câmaras de vacina
    • Ícones (produto inesquecível): 
      “É difícil eleger um único produto em 90 anos de fabricação. Um de nossos produtos mais premiados e com maior número de certificações da história recente da empresa é o Bilitron, porém, as tradicionais estufas e centrífugas da Fanem ficaram muito famosas e são reconhecidas até os dias de hoje”.
    • Slogan: 
      Presente quando mais necessário se faz
    • Website: 
      www.fanem.com.br

A internacionalização da Fanem

    • Exporta desde quando: 
      1970 
    •  Valor exportado em 2013:
      US$ 14,800.000.00

    • Presença global: 
      110 países

       

Apex-Brasil e Fanem

    • “Além de participar das ações do Projeto Brazilian Health Devices, a Fanem participou diretamente com a Apex-Brasil de diversas missões comerciais (norte da África e América latina, por exemplo). Participamos cerca de quatro vezes do Projeto da Fórmula Indy, uma vez do Projeto Carnaval, Projeto Copa das Confederações 2013 e Projeto Copa do Mundo 2014”, conta Djalma.