GENERAL PRODUCTS: A grande lição de vida e de negócios de Nicolau Saad Filho

17 DE NOVEMBRO DE 2014 - MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

A trading que hoje atua em diversos setores da economia é um exemplo de como o espírito vendedor e a persistência podem ultrapassar qualquer tipo de barreira

Familiar é a palavra que define o escritório da General Products, em São Paulo. Não só pelos aspectos físicos – o escritório ocupa um edifício de 3 andares mais um galpão adjunto –, mas também pelo ambiente e pela recepção acolhedora do anfitrião. Nicolau Saad Filho abre os braços para dar boas-vindas. O sorriso é constante. Seu Nicolau esbanja simpatia. Oferece um cafezinho, algumas frutas secas. E apresenta de longe toda a equipe, que, educadamente, faz gestos de cumprimentos. “O ambiente da empresa é familiar, temos funcionários que estão aqui há mais de 20 anos. Nós nunca demitimos funcionários; normalmente, são eles que pedem para sair, porque tiveram uma oportunidade melhor. Alguns saem e fecham as portas, mas muitos saem e deixam as portas abertas”, comenta Nicolau.

Sua sala sempre está com as portas abertas, e um janelão permite que Nicolau enxergue todo o andar de sua cadeira. O empresário tem orgulho de sua história e a conta em detalhes. “Você quer desde o início? Tem muita história, viu?”, avisa, e já começa a percorrer os anos que o levaram até ali. Hoje, Nicolau Saad Filho é dono da General Products, uma das tradings mais representativas do Brasil.

“Quando entrei na faculdade, meu irmão mais velho – que sempre me dava orientações – disse para eu trabalhar na cerâmica da família, para eu entender na prática o que era ter um trabalho. Então, eu trabalhava durante o dia e estudava à noite”, lembra. Nessa época, seu Nicolau ficava de olho na contabilidade da empresa e também gerenciava o material vendido.

“Ficava um período na feira e, no outro, saía para visitar clientes, mostrar nosso material. Consegui o primeiro pedido, e assim começamos a abrir mercado.”

Desde o princípio, a empresa se valeu de bons relacionamentos. E foi dessa forma que os irmãos conseguiram vender tijolos para várias construtoras de São Paulo. A venda, cada vez maior, fez com que se preocupassem com a logística de entrega do material, e, assim, decidiram adquirir caminhões para o transporte das encomendas. O negócio só crescia, e ficou maior que a capacidade de produção da velha cerâmica. “Então, começamos a ir às olarias e às outras cerâmicas. E passamos a comprar a produção delas também. Tínhamos o diferencial de entregar a mercadoria ao comprador. Em uma ponta eu arrumava o material, e, na outra, tinha outro irmão fazendo as vendas. Eu fiquei responsável pela produção e pela compra, e ele, por retirar os pedidos”, explica. E essa dinâmica toda aconteceu na década de 1970.

O espírito empreendedor da família levou Nicolau, alguns anos depois, a trocar o cinza de São Paulo pelo azul do mar do Nordeste. “Quando terminei a faculdade de administração, meu irmão estava construindo uma fábrica de engrenagem em Recife e me chamou para ajudá-lo”, conta. O calor e a convivência com um estilo de vida diferente do de São Paulo fizeram os irmãos verem uma oportunidade na venda de motocicletas. “Em 1972, perguntamos à Honda [fabricante de motocicletas] se eles permitiriam que fôssemos os distribuidores deles aqui no Brasil. Eles se interessaram, conheceram nosso histórico, viram que tínhamos uma indústria de autopeças e nos deram a distribuição. Nós ficamos com a empresa de autopeças e com a revenda Honda em Recife. Em junho de 1974, eu casei e, em 1975, voltei para São Paulo, me tornei diretor comercial da fábrica e passei a mirar as exportações”, relembra.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A fábrica começou a crescer, e os irmãos ganharam espaço com as montadoras, a qualidade das peças melhorou e ficou cada vez mais conhecida. “Na exportação, ainda dávamos os primeiros passos, porque não era uma cultura comum às empresas brasileiras”, conta.

A primeira tentativa foi em uma feira no Uruguai. “Ficava um período na feira e, no outro, saía para visitar clientes, mostrar nosso material. Consegui o primeiro pedido, e assim começamos a abrir mercado”, explica. Do Uruguai, Nicolau foi para o Paraguai: “Como o catálogo de nossas peças tinha uma referência universal, nossos clientes sabiam que determinada peça serviria nos carros que tinham no país deles. A gente só podia vender nossas peças para onde o Brasil ou as próprias matrizes tinham exportado os veículos”.

“Eu sou muito curioso. Eu não só espero a oportunidade chegar como também vou atrás dela. Eu até incentivo o pessoal a correr atrás das oportunidades, analisar e arriscar. É preciso ter curiosidade e buscar o conhecimento. O fato de não saber algo não impede ninguém de correr atrás e aprender.”

Com o passar do tempo, Nicolau continuou a exportar e a participar de feiras. Ele lembra do esforço que fazia para conquistar clientes: “Comecei a comprar revistas e jornais em espanhol para começar a me habituar com a língua. Eu só falava ‘portunhol’, sempre ligava a TV do quarto do hotel para ouvir a língua e treinar o ouvido. Não entendia nada, mas precisava daquilo para negociar pessoalmente com os clientes”.

Nessa velocidade, veio também a entrada no mercado chileno, depois no venezuelano, colombiano e assim por diante em diversos países latinos. Mesmo quando não vendia suas peças diretamente, Nicolau se preocupava com o networking: “Conquistamos a confiança dos clientes venezuelanos porque, mesmo quando não tínhamos as peças para vender, indicávamos outras fábricas e até fazíamos o contato para eles. Eu entrava em contato com as fábricas e solicitava o catálogo da empresa porque tinha um cliente querendo ver”.

Em 1978, os irmãos Saad arriscaram outro salto e tiveram como sócios a Honda, em uma fábrica de componentes para as motos da marca. “Eles entraram com o know how e as indicações de máquinas mais apropriadas para a fabriação de peças para motos. Nós, com o trabalho e a habilidade de montar peças de qualidade a preços mais baixos. Durante um ano, recebemos uma equipe de japoneses que visitavam e examinavam nossa fábrica. Eles compraram 40% de nossa fábrica. Então, tínhamos um sócio forte, que também era nosso cliente cativo, que nos dava o conhecimento de produção e o capital. Foi um bom negócio na época”, explica. Incansáveis, os irmãos não pararam e acabaram entrando em contato com a Clark, maior fábrica de transmissão do Brasil, que fornecia peças para Ford, GM e Chrysler. “Eles precisavam de fabricantes de produtos que fossem confiáveis. Nós os conhecíamos das reuniões do sindicato, e a amizade era tanta que, quando eles estavam com a capacidade máxima de produção, nós os ajudávamos fabricando algumas peças. Fizemos um bom relacionamento e começamos a distribuir as peças Clark pela América Latina”, relata Nicolau. Depois disso, também se tornaram distribuidores da fábrica alemã ZF.

GENERAL PRODUCTS

A vontade de expandir não se restringiu ao setor de autopeças. Em 1986, os irmãos criaram a General Products e já começaram a mirar o setor têxtil. “Eu saía para vender, meu primo ajudava e meu irmão dava um pouco de suporte. Começamos, então, a contratar funcionários. “Temos dois funcionários que trabalham com a gente há 38 anos”, conta, orgulhoso.

Mais tarde, a General Products também alcançou o setor de móveis. “Quando nós viajávamos para o exterior, sempre procurávamos outros segmentos para trabalhar. Em uma dessas viagens, havia um empresário de móveis que conseguiu vender 11 contêineres. Eu sempre gostei de móveis, e brinquei que queria trabalhar com o segmento. Ele disse para eu ir ao Rio Grande do Sul, que me apresentaria algumas fábricas”, relembra Nicolau. Tempos depois, a General Products já era representante exclusiva de algumas marcas. “Meus filhos começaram a trabalhar comigo e se identificaram com o setor de móveis. Para entrar nesse mercado nos outros países, eu perguntava para meus clientes de autopeças quais eram as empresas que trabalhavam com móveis. Então, eu ligava pedindo para falar com alguém da área de compras, dizia que era do Brasil e tinha um material para apresentar”, conta.

TRABALHO EM FAMÍLIA

Nicolau é cercado por pessoas de confiança. Não só os funcionários que trabalham há tanto tempo, mas os filhos, o sobrinho, os irmãos. A empresa hoje é também o local de encontro da família, que sempre almoça junta, em um local da empresa que mais parece a sala de jantar de nossa casa do que um refeitório. “Nós somos empreendedores e metidos. Todos somos vendedores”, afirma Nicolau. Com esse espírito, hoje, a General Products ainda trabalha com outros setores, como uma linha industrial de máquinas para mineradoras e construtoras de estradas. “Eu sou muito curioso. Eu não só espero a oportunidade chegar como também vou atrás dela. Eu até incentivo o pessoal a correr atrás das oportunidades, analisar e arriscar. É preciso ter curiosidade e buscar o conhecimento. O fato de não saber algo não impede ninguém de correr atrás e aprender”, ensina. “A persistência não pode ser com burrice, ela deve ser até o ponto em que está bom, sem desistir no primeiro obstáculo. Além disso, relacionamento é tudo. Eu consegui as coisas com o relacionamento que tinha com as pessoas.”

Por fim, Nicolau dá uma última lição de sucesso nos negócios (ou será na vida?):  “Ter uma família estruturada e em harmonia deixa tudo mais fácil, tudo flui bem. Eu trouxe meus filhos desde pequenos para cá. Como sou o caçula de seis filhos, quando eu nasci, meu pai tinha 55 anos. Então, foram meus irmãos que me educaram. Meu irmão que é meu sócio é quase um pai para mim, e, aos 14 anos, me ensinou a valorizar e a gostar do trabalho.” Lição aprendida que até hoje gera frutos nos negócios e momentos de alegria com a família.

Nicolau Saad Filho é fundador da General Products e não abre mão do convívio familiar para ter sucesso nos negócios (e na vida).
Compartilhe essa história
FONTES DE PESQUISA
  • Entrevista realizada na sede da General Products com o fundador, Nicolau Saad Filho.

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre General Products ?

    • Ano de fundação:
      • 1986
    • Fundador:
      • Eduardo Nicolau Saad e Nicolau Saad Filho
    • Presidente:
      • sociedade gerenciada por ambos os sócios
    • Número de lojas/plantas/fábricas:
      • 1
    • Quantidade de funcionários:
      • 17
    • Segmento/setor econômico em que atua:
      • exportação de autopeças
    • Principais produtos:
      • autopeças para veículos pesados (caminhões/ônibus e tratores)
    • Ícones (produto inesquecível):
      • excelência em serviços 
    • Slogan:
      • Identifique uma necessidade e busque uma solução 
    • Website:

     

A internacionalização da General Products

    • Exporta desde quando:
      • 1986
    • Valor exportado em 2013:
      • US$ 2.723.972,86 de faturamento em trading e US$ 9.591.819,72 como representante
    • Projetos da Apex-Brasil dos quais já participou:
      • mais de 20 eventos
    • Presença global (está presente em quantos países):
      • 31
    • Principais mercados internacionais (países e/ou continentes):
      • América do Sul/ Central/ Europa/ África/ Ásia/ Oriente Médio.
    • Principais produtos exportados:
      • autopeças para veículos pesados (caminhões/ônibus e tratores)

     

Apex-Brasil e General Products

    • Projeto Trandings