MAGNAMED: a fórmula de Wataru, Tatsuo e Toru para preservar vidas e mudar o mundo

01 DE JULHO DE 2014 - SAÚDE

A empresa, que começou em uma garagem, hoje leva tecnologia médico-hospitalar brasileira –inovadora e de baixo custo – para mais de 35 países

A primeira impressão era de que a vida estava feita. Bons cargos em uma empresa de equipamentos médicos, carreiras já consolidadas. Aparentemente, tudo ia bem... Mas as mentes estavam sempre inquietas. Tatsuo e Wataru passavam pelo mesmo processo: queriam contribuir com mais do que já estavam fazendo. Ali, naquele lugar, já tinham dado tudo que podiam. Para ter certeza de que faria a coisa certa, Wataru escreveu quais eram seus objetivos de vida, o tempo que levaria para alcançá-los, que competências tinha para atingir suas metas. "É importante ter tudo no papel para você saber se está perto ou muito distante de seus sonhos", afirma.

Os dois engenheiros tinham, à frente, um dilema: trocar a vida confortável de executivos, com bons salários, por um trabalho sem nenhuma remuneração inicial e sem previsão de retorno a médio prazo. Mas Tatsuo e Wataru tinham histórias de vida bastante parecidas e habilidades complementares. Ambos se formaram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e foram empreendedores quando jovens. Também gostavam do setor em que trabalhavam. Intuíam que os conhecimentos de engenharia que adquiriram no ITA e as experiências profissionais que vieram depois ajudariam os dois a projetar produtos médicos mais condizentes com os valores em que acreditavam.

Mudar nunca é fácil. Entretanto, a observação da realidade fazia os sonhos gritarem ainda mais alto. Muita coisa podia melhorar: novas práticas na produção, produtos de menor custo, mão de obra mais valorizada. O pensamento de mudança ia além do dia-a-dia. Eles queriam fazer mais pelo mundo. “É claro que a decisão foi extremamente difícil, uma vez que sabíamos que afetaria o lado financeiro, mas os desafios valiam a pena. Buscar os sonhos, com a tecnologia e o conhecimento que tínhamos, poderia levar benefícios a muitas pessoas e assim devolver à sociedade um pouco do que recebemos dela”, comenta Wataru.

“Buscar os sonhos, com a tecnologia e o conhecimento que tínhamos, poderia levar benefícios a muitas pessoas e assim devolver à sociedade um pouco do que recebemos dela”

A vontade de arriscar foi maior que o receio ou o conforto da boa vida, já conquistada com muito esforço. Sentiam que tinham uma missão pela frente. Wataru também sabia que ter tido a possibilidade de acompanhar, durante a sua carreira, todo o ciclo de desenvolvimento dos produtos – desde a criação até a venda – o ajudaria a replicar o modelo no novo desafio. Dessa maneira, em 2005, fundaram a Magnamed, empresa que fabrica equipamentos para o mercado de ventilação pulmonar e anestesia. Ganharam reforço de mais um sócio, Toru, e o time ficou completo. E tudo isso começou em uma garagem, de 15 metros quadrados.

O primeiro produto criado foi um ventilador pulmonar que não utilizava tubos para interligar as válvulas pneumáticas. Isso facilitava a montagem, diminuindo os movimentos repetitivos dos trabalhadores e, dessa forma, reduzindo os riscos no ambiente da fábrica. Com o plano de negócios nas mãos, foram aprovados em várias incubadoras de empresas, mas optaram pela então maior incubadora existente, o CIETEC, da Universidade de São Paulo. Ali puderam aprimorar os protótipos, aprender sobre linhas de financiamento e o apoio de órgãos como Fapesp, FINEP e CNPq.

Uma nova plataforma tecnológica nasceu naquele momento para fabricação de novas gerações de ventiladores pulmonares: mais compactos, mais fáceis de se montar, mais seguros e de menores custos. E a primeira venda foi realizada depois de um ano de criação da empresa. Nesse ponto, acreditam que a descendência nipônica os ajudou a ter paciência e a lidar bem com a espera da maturação do negócio. “Já passamos por muitas dificuldades, mas com bom senso e com forte compromisso na missão de ajudar a salvar vidas, conseguimos passar pelos momentos difíceis”, relata Wataru.

Pela primeira vez, em 2009, a Magnamed contou com capital de terceiros. Em 2010 e 2011, conseguiu as licenças necessárias para fabricar e vender produtos médico-hospitalares (na Comunidade Europeia e na Anvisa, respectivamente). Mesmo com a demora, não desistiram do foco. E assim como o ideograma japonês – que tem o mesmo símbolo para representar as palavras “crise” e “oportunidade” – optaram por ver os obstáculos como formas de crescimento. “O crescimento de forma correta é ilimitado. Fazer certo desde o início é mais fácil do que consertar depois”, Wataru repete as afirmações que costumam ser ditas pelos três sócios.

O objetivo maior ainda é o de transformar o setor da saúde no país, levando sempre em mente o senso de ética, a integridade e a noção de que a mudança é para beneficiar o coletivo. “Descobrimos que, para ter sucesso no próprio negócio, precisávamos saber ouvir a equipe, postura diferente da adotada pela maioria dos executivos, que fala mais do que escuta", explica Wataru, que hoje é o presidente da Magnamed.

Hoje, trabalham com quatro produtos especiais. Um deles, o Oxymag é um ventilador pulmonar, idealizado nos corredores da Magnamed. “É o único que ventila desde paciente neonatal até adulto. Já foi usado em bebê de 500 gramas e paciente de 300 quilos”, explica Tatsuo. “Nossos produtos são inovadores, com foco na preservação da vida”, fala.

Os sócios enumeram os valores que regem o dia a dia da Magnamed: acreditar no time, compartilhar continuamente princípios e valores – como o “sonhar grande” – ter paixão pela inovação, fazer simples e melhor, manter o foco no cliente, ter compromisso com o desempenho, com ética e a responsabilidade, empatia e brilho nos olhos. Segunde eles, na Magnamed, essa forma de trabalhar e, especialmente, a ética no trabalho podem valer a própria vida.

INTERNACIONALIZAÇÃO

O pensamento voltado para o mercado externo da Magnamed ocorreu, na realidade, quando os três sócios já idealizaram um produto que reuniria as melhores tecnologias do mundo, projetando-o com base em normas internacionais para entrar competitivo no mercado. Com isso, começaram a participar das maiores feiras internacionais da área médica – MEDICA, na Alemanha; Arab Health, em Dubai; FIME, em Miami; Hospitalar, no Brasil – com pequenos estandes para a divulgação da marca e também para observação das tendências do setor.

“O crescimento de forma correta é ilimitado. Fazer certo desde o início é mais fácil do que consertar depois”

 A internacionalização ocorreu efetivamente quando venceu uma grande concorrência de equipamentos médicos do governo da África do Sul em 2011, uma licitação que culminou em um contrato de dois anos para venda de ventiladores para transporte de pacientes. Desde então, a empresa passou a exportar para mais de 25 países, da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina. Os produtos da empresa foram exportados antes mesmo do início das vendas no mercado brasileiro, já que a Certificação da Comunidade Europeia foi conseguida cerca de seis meses antes do registro no Brasil.

VALORES

Quando perguntados sobre o futuro da empresa, o discurso é uníssono: acreditam que a Magnamed está contribuindo com a mudança do mundo, ao exportar produtos melhores e mais confiáveis, com alta tecnologia e ao alcance de todos. “Ajudamos a preservar vidas, com muita honestidade e ética”, explica Tatsuo. Para eles, é fundamental que devolvam à sociedade brasileira o que receberam durante toda a vida: educação pública e gratuita, subvenções e apoio aos projetos.

Essa devolução, na fórmula dos fundadores, vem em forma de geração de empregos, de novas tecnologias e de muita inovação. “Esperamos que a Magnamed continue fabricando cada vez mais produtos inovadores e de excelente qualidade, sempre tendo em vista que os benefícios sejam levados a todas as camadas sociais, que os valores sejam passados de geração em geração e que muitas vidas sejam salvas, levando cada vez mais conforto aos pacientes”, declara.

A lição final de sucesso, na visão dos fundadores da Magnamed, está na noção do que é necessário para transformar uma ideia em realidade, como paciência, conhecimento e organização. Mais que isso: o sucesso de qualquer negócio está fundamentado no altruísmo. “É preciso avaliar sempre os ganhos que uma iniciativa pode trazer à sociedade e não apenas para si”, finaliza Wataru.

Wataru Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Kinjo são os fundadores da Magnamed e acreditam que honestidade e ética são os alicerces para o sucesso de qualquer negócio.
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FONTES DE PESQUISA

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre Magnamed?

    • Ano de fundação:
      • 2005
    • Fundador:
      • Wataru Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Kinjo
    • Chairman & CEO:
      • Wataru Ueda 
    • Presidente:
      • Wataru Ueda 
    • Número de fábricas:
      • 1 fábrica
    • Quantidade de funcionários:
      • 76
    • Setor econômico em que atua:
      • Médico-hospitalar 
    • Principais produtos:
      • Fleximag, Babymag e Oxymag
    • Slogan:
      • Preservando vidas
    • Website:

A internacionalização da Magnamed

    • Exporta desde quando:
      • 2009
    • Valor exportado em 2013:
      • 2 milhões de dólares
    • Presença global:
      • 35 países
    • Principais mercados internacionais:
      • África do Sul, Egito, Colômbia e México
    • Principais produtos exportados:
      • Oxymag, Fleximag, Babymag e Ventmeter

Apex-Brasil e Magnamed

    • Projetos da Apex-Brasil dos quais já participou:
      • Projetos Setoriais ABIMO, desde 2009 até 2015, Convênio CCAB - 2013-2015, Projeto Tradings - Oficinas de Negócio BRASIL TRADE 2013, Feiras: Médica, FIME, Arab Health e Africa Health