ZOEMOB: o aplicativo com DNA brasileiro que conquistou o mundo

19 DE MAIO DE 2014 - TECNOLOGIA

A ideia que nasceu em uma conversa de bar entre os sócios Daniel e Hélio ajuda os pais a garantirem a segurança dos filhos e a proteção da família

Bootstrapping, pivotar, meetup, aceleradora, investidor-anjo... Daniel Avizú ainda não sabia muito bem o que esses termos significavam, mas sabia de uma coisa: precisava de um investidor que acreditasse no seu negócio. Foi a um evento, em um espaço da Rua Augusta, em São Paulo e ficou de olho nos crachás. Crachá com selo verde para empreendedor; selo prata para imprensa e amarelo para investidor. Os investidores, ele abordava. Apresentava o projeto, deixava o cartão de visitas com contatos e detalhes do software que havia criado.

“O momento que você deixa seu emprego e passa realmente a se dedicar 100% ao seu negócio é algo inesquecível. Tem euforia e preocupação ao mesmo tempo. É como se sua vida estivesse começando novamente.”

No fim do evento, Daniel tentou sua última estratégia: ficou no hall de saída, observando. No momento em que um investidor com quem ainda não havia conversado entrasse no elevador, ele entraria junto. E assim o fez. Elevador cheio, vários empreendedores – como ele – e um foco claro... Daniel não hesitou. Em um afã de vendedor de trem – como ele mesmo diz – e em um momento de tradução literal de “elevator pitch” (mais um jargão conhecido no mundo das startups), iniciou o seu discurso: “Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu tenho uma startup que precisa de investimento”, declarou. Cassio Spina, investidor-anjo, mordeu a isca e pediu um cartão. Já os outros empreendedores se arrependeram da falta de iniciativa e criatividade deles próprios.

Nesse ambiente de startups, tudo acontece assim: arriscando e acreditando que o inusitado pode fazer diferença. E, em 2011, no tempo de subir três andares de um edifício de São Paulo, Daniel conseguiu a primeira captação de recursos para a Zoemob, que nasceu da percepção de uma demanda e de uma conversa em uma mesa de bar.

Voltemos dois anos nesta história. Daniel trabalhava em uma empresa que atendia varejistas e cuidava das operações e demandas da área de tecnologia e sistemas. Todo o trabalho dos técnicos era realizado de madrugada, e a grande dificuldade era monitorar os funcionários que iam a campo. “Um dia pensei que se pudéssemos localizá-los, saberíamos se estão chegando na ordem de serviço que eles realmente teriam que atender, e fiquei com isso na cabeça”. A inquietação persistiu, Daniel fez um protótipo do software que desejava ver no mercado e deixou rodando no seu celular. O amigo Hélio Freitas viu o aplicativo e a oportunidade. E, nessa noite, entre uma cerveja e outra, os dois sócios deixaram de lado os palpites futebolísticos e iniciaram a criação da Zoemob.

Os três meses seguintes foram de muita dedicação, lembra Daniel. “Fizemos a lição de casa bem feita, vimos tamanho de mercado, estruturamos os principais pontos do plano de negócio”. O software foi ao ar em 21 de abril de 2010 e em janeiro do ano seguinte já tinha 10 mil usuários. Foi o momento de decisão para Daniel e Hélio: “cresceu demais, ou abraçávamos a causa, ou parávamos. Só que não gerava receita, ainda não dava para viver daquilo. E foi quando fomos atrás de captação”, relembra Daniel.

1º de abril de 2011. Essa foi a data em que os dois sócios passaram a se dedicar full time à startup. “O momento em que você deixa seu emprego e passa realmente a se dedicar 100% ao seu negócio, é algo inesquecível. Por mais que você se prepare ou imagine como será, sempre há um ‘quê’ que a gente não consegue descrever bem. Tem euforia e preocupação ao mesmo tempo. É como se sua vida estivesse começando novamente”.

E estava. De sete mil usuários, em três anos, o aplicativo saltou para sete milhões! Para atingir “tantos milestones” (palavras de um cara de trinta e poucos anos, que se considera “tiozão” diante da faixa etária da equipe de dez pessoas), Daniel se valeu de uma característica que, segundo ele, todo empreendedor deve ter: persistência. “Tem que ser teimoso. Ou você acredita e faz tudo para que seu plano seja executado, ou não terá oportunidade de verificar se suas outras características são válidas. Essa é a única forma de tornar a inovação algo que faça diferença na vida das pessoas. Caso contrário, estaríamos apenas fazendo uso funcional da tecnologia sem agregar valor para o dia a dia das pessoas”, discursa.

Decidiram, então, que o principal valor da companhia seria entender o comportamento das pessoas na vida real. De monitoramento de serviços prestados por técnicos, a Zoemob focou no cuidado com as famílias. O aplicativo, que qualquer um pode levar no celular, mostra o aparelho no mapa, recebe alertas de localização e, juntamente com os dados, realiza uma análise de comportamento para os usuários. Daniel e Hélio gostam de usar o termo “proteção familiar online”.

“Temos o DNA do brasileiro e sabemos que, se hoje tem dinheiro no mercado, amanhã pode não ter. Crescemos com um pouco de pé no chão nesse sentido, o olho está sempre na receita, no resultado, na austeridade. Fazemos o dinheiro render um pouco mais”

INTERNACIONALIZAÇÃO

“Começamos do avesso, porque santo de casa não faz milagre”, fala rindo Daniel. “O primeiro lugar em que estouramos foi na Coreia do Sul, tanto que foi nosso segundo idioma, com o detalhe de que ninguém aqui fala coreano”, explica. A escolha foi feita porque, estudando os mercados, perceberam que o outro lado do mundo era bastante ávido por serviços de telefonia móvel. A investida bem sucedida na Ásia foi o primeiro passo para a conquista do mundo. “Até hoje não sabemos o que está escrito em nosso software, mas ganhamos conhecimento com essa experiência”, conclui. E em uma volta rápida ao mundo, chegaram aos Estados Unidos. Atualmente, 35% dos usuários estão nos Estados Unidos e somente 3% no Brasil. E já são mais de 180 países atendidos pelo serviço da Zoemob.

Em 2013, foram ao Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, para captar recursos. Agora estão estruturando uma operação em São Francisco, para atender melhor às necessidades dos maiores mercados fora do Brasil. Também pretendem abrir a plataforma do software para que outros programadores desenvolvam produtos correlatos. “Temos o DNA do brasileiro e sabemos que se hoje tem dinheiro no mercado, amanhã pode não ter. Crescemos com um pouco de pé no chão nesse sentido, o olho está sempre na receita, no resultado, na austeridade, fazemos o dinheiro render um pouco mais”, afirma. O foco é o produto, a engenharia, e agora pretendem dar um pouco mais de atenção ao design.

O resumo, por Daniel, é mais ou menos esse: “Lançamos nosso produto em 2010, conseguimos o primeiro investimento em 2011, nosso primeiro milhão de usuários em 2012, ganhamos notoriedade internacional em 2013. Em 2014 estamos cada vez mais nos internacionalizando, tanto para captação de investimentos, quanto para montar operação fora do Brasil”. E o foco sempre nas pessoas: “Nos próximos anos, queremos crescer, crescer e crescer. Afinal, é isso que determina se uma startup é um sucesso ou não. Claro, crescer com qualidade, tornando a experiência do usuário cada vez melhor”.

E como Daniel acha que isso tudo muda o mundo? “Não quero mudar o mundo. Prefiro acreditar que o que fazemos na ZoeMob vai ajudar as pessoas a encontrarem formas de mudar o mundo”. Ok. E quais são os valores que regem a sua vida? “Simplicidade”, afirma.

Simples assim...

Daniel Avizú nasceu em 13 de outubro de 1979 e é o fundador do serviço de proteção pela internet Zoemob, juntamente com Hélio Freitas. Daniel tem como hobby a marcenaria e leva, como lema, a seguinte frase: "Não há nada que resista ao trabalho bem feito".
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FONTES DE PESQUISA
  • Bate-papo por telefone com o CEO da Zoemob, Daniel Avizú
  • Site do Zoemob: https://www.zoemob.com/pt/sobre.php
  • Informações disponibilizadas pela assessoria de imprensa da empresa

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre ZOEMOB?

    • Ano de fundação:
      • 2010
    • Fundador:
      • Daniel Avizú e Hélio Freitas
    • Chairman & CEO:
      • Daniel Avizú
    • Quantidade de funcionários:
      • 10
    • Segmento/setor econômico em que atua:
      • Internet (mobile/saas)
    • Slogan:
      • ZoeMob – seu serviço de proteção da família!
    • Principais produtos:
      • ZoeMob - Family Safety Service
    • Website:

A internacionalização da ZOEMOB

    • Exporta desde quando:
      • 2011
    • Presença global:
      • Mais de 180 países
    • Principais mercados internacionais:
      • EUA (35%), Europa (30%), Ásia (25%), América Latina (10%)
    • Principais produtos exportados:
      • ZoeMob - Family Safety Service

Apex-Brasil e ZOEMOB