nuNAAT: o exemplo de persistência e disciplina de Alexandre Vasto

03 DE NOVEMBRO DE 2014 - SAÚDE

A empresa de cosméticos para cabelo faz parte do grupo MCassab e mostra para o mundo o conhecimento do Brasil na área

O escritório da MCassab (empresa que atua em diversos ramos da economia) é grande. Em um primeiro momento, é possível perder-se pelos corredores. Mas Alexandre já aguardava a visita e foi até o corredor para indicar a sala certa. Lá dentro, tudo já estava preparado: na mesa, diversos catálogos dos produtos, o livro em homenagem aos 75 anos da empresa (que atualmente está com 85) e fotos variadas abertas no computador. Alexandre sempre está atento aos detalhes e, talvez, este seja um dos grandes diferenciais deste empresário que escolheu o mundo como seu escritório particular. 
 
Alexandre Vasto começou bem cedo e, em uma das primeiras experiências profissionais, viajou para o Japão. Ali, o mundo começou a se abrir e isso foi há 30 anos. “A realidade com os japoneses foi bárbara para minha formação, porque a disciplina deles é incrível, você precisa ter precisão e qualidade de informações, comprometimento absurdo. Além disso, foi uma experiência intercultural maravilhosa: desde os costumes e as tradições, até a gastronomia”, relembra. 

O empresário, hoje, está à frente da nuNAAT, unidade de negócios do Grupo MCassab que existe desde 2003 e que possui no portfólio, produtos para tratamento dos cabelos. Mas a história de Alexandre na empresa teve início muito antes: “Comecei a trabalhar aqui em 1996 e minha especialidade é comércio exterior, uma área que sempre me fascinou, desde os tempos de faculdade”, conta. 

“O país melhora quando se tem exposição internacional. Quanto menos fechado, maior a probabilidade de desenvolvimento”

A ideia de trabalhar com produtos cosméticos surgiu de uma maneira inusitada. “Em 2004, nós lançamos um livro com os 75 anos de história da MCassab. Durante o período prévio de pesquisa, descobrimos um dos negócios que a família fundou nos anos 1950. Na época, o Mansur Cassab e o José Cassab detectaram a possibilidade e acabaram abrindo uma fábrica de pó de arroz, batom e essas coisas”. A história serviu de inspiração para Alexandre: “Pensei que era o momento de montar algum negócio que não fosse de matéria-prima. Nós sempre tivemos uma presença muito forte no setor cosmético nacional, já que trabalhamos fortemente com matérias-primas para a maior parte da indústria cosmética brasileira. Nós tínhamos também muitas solicitações para mandar nossos produtos para China sem a nossa marca. Eu, Alexandre, gosto demais de trabalhar a marca própria, ser o dono da marca, porque independente de onde e o que você estiver produzindo, a sua marca vai transmitir tudo o que você já construiu de identidade. E aquela era a nossa hora”, conta.

Para não depender de fornecedores e de outros fabricantes, a MCassab desenvolveu não só fornecedores em várias partes do mundo, como também criou um laboratório que hoje é referência para análise e também para desenvolvimento de produtos. “Então, tínhamos a matéria-prima, a expertise do negócio, a vontade de criar algo novo e de lançar uma marca. Conversei com os diretores, expus a ideia e acabou surgindo uma oportunidade de desenvolver, no Oriente Médio, um primeiro cliente. Eu não tinha nada e surgiu a oportunidade. Então, pensei: é hora de organizar e fazer um business plan mínimo para dar certo. E foi assim que nós iniciamos: formulamos uma linha de produtos para os cabelos. O Brasil aprendeu a fazer produtos legais, com formulações muito boas e a um preço competitivo”, comenta. 

Alexandre conta que a estratégia foi apostar na diversidade brasileira: “O nosso conceito foi de natural o máximo possível, o que é bem brasileiro. Nós aportávamos o máximo de ingredientes naturais e, utilizando uma boa química, buscávamos um produto que deixasse a mulher feliz. Combinamos o produto natural com a tecnologia. Nossos profissionais ficaram quatro meses desenvolvendo a linha que íamos lançar no mercado. Hoje em dia, todo mundo tem qualidade, mas existem diferenças na entrega de resultado. Decidimos apostar em produtos com preço médio, mas com entrega de resultado de produtos mais caros”.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A nuNAAT é direcionada atualmente para o mercado externo, mas tem planos para começar a atuar internamente. “O começo foi muito duro, porque as coisas não vinham no ritmo que estávamos acostumados. Em comércio exterior, as coisas não são construídas rapidamente, elas demandam muito tempo. Conseguimos fazer nosso primeiro embarque de produtos em 2005. Os anos de 2006 e 2007 foram de muito trabalho e muito pouco resultado prático. O nosso primeiro cliente continua conosco até hoje, mas tem o outro lado: em muitos casos, o negócio parecia certo, mas no último minuto desistiam de fechar com gente. Tivemos muita persistência”, explica Alexandre.

O início foi pelo mercado árabe; em seguida, Estados Unidos. “Nós temos produtos feitos com alho e que estão virando a segunda linha mais vendida nos Estados Unidos. A primeira linha é de queratina, que também é um conceito brasileiro”, explica Alexandre. Depois disso, a nuNAAT chegou a grandes redes da França, como Auchan e Casino. 

“O nosso trabalho demanda três características. A primeira é ser um militar, no sentido de ter missão, foco e disciplina; depois é preciso ser um diplomata para administrar as diferenças de clientes, de culturas; e, por fim, é fundamental ter o espírito de comerciante, que se estimula pela venda e pela produção de riquezas”

Alexandre acredita que “o país melhora quando se tem exposição internacional. Quanto menos fechado, maior a probabilidade de desenvolvimento”. Para alavancar a presença dos produtos no mercado externo, a nuNAAT foi buscar auxílio da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). Na época, se inscreveram no programa Beautycare Brazil e já garantiram vaga em uma feira em Dubai. Em seguida, foram à Cosmoprof Bologna, grande feira de cosméticos que reúne empresas do mundo todo. “A oportunidade de começar lá fora teve um pouco de sorte, de momento adequado e também de necessidade. Nós tomamos uma decisão na época de não entrar no mercado brasileiro justamente pela nossa posição de fornecedores de uma série de matérias-primas para fabricantes nacionais. O Brasil dita tendências nesse setor de hair care e a nossa estratégia é entregar mais do que o cliente espera”, conclui. 

O SEGREDO DE UM BOM NEGÓCIO
 
“Alguns elementos nos permitiram ter sucesso. O primeiro foi a confiança dos acionistas e diretores da MCassab frente a um novo negócio. Outra coisa foi ter aproveitado a visão do governo de que o Brasil precisa se internacionalizar. Além disso, trabalhar um conceito muito valorizado, que é o de sustentabilidade e focar nas necessidades do cliente”, enumera Alexandre. 
 
Segundo ele, a criação de um novo negócio exige persistência, sem perder o objetivo. “Não tem caminho pré-traçado, não tem caminho certo, tem que ter foco, mas tem que saber que vai mudar o tempo todo. O comércio exterior é complexo; conseguir fazer a sua marca no mercado externo é mais complexo ainda. O trabalho é de domingo a domingo, se quiser atender cliente árabe, é no domingo. Estamos conseguindo, cada vez mais e mais, criar uma equipe profissional. Tem que ver o trabalho com prazer. Eu adoro esse desafio multicultural de conversar de manhã com alguém na Polônia, à tarde estar em contato com alguém na Turquia e pensando em solucionar o problema de alguém no Iêmen. Isso é incrível”, comenta.


Alexandre enumera outras características para quem quer ser empreendedor e atuar no mercado externo: resiliência, disciplina da execução, transformar ideias em projetos, determinar um ritmo para o trabalho e ter disciplina para enfrentar os problemas. “Sem contar a obsessão de atender o cliente sempre muito bem. Como não temos verba para fazer campanhas de marketing, nós acreditamos que temos que nos diferenciar na qualidade da proposta; nos bons relacionamentos e, então, unimos objetividade e eficiência, com o toque extra de simpatia brasileira. Assim é possível entregar um serviço diferenciado”, ensina e conclui: “O nosso trabalho demanda três características. A primeira é ser um militar, no sentido de ter missão, foco e disciplina; depois é preciso ser um diplomata para administrar as diferenças de clientes, de culturas; e, por fim, é fundamental ter o espírito de comerciante, que se estimula pela venda e pela produção de riquezas”.

Alexandre Vasto está à frente da marca de cosméticos nuNAAT, da MCassab e é um grande apreciador de vinhos e um apaixonado pelo mundo, Alexandre acredita que disciplina e persistência são capazes de mover o mundo.
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FONTES DE PESQUISA
  • Entrevista realizada na sede da MCassab com o CEO da nuNAAT, Alexandre Vasto.

DADOS ECONÔMICOS

Quer saber mais sobre nuNAAT?

    • Ano de fundação:
      • 2005
    • Fundador:
      • Alexandre Vasto
    • Chairman & CEO:
      • Alexandre Vasto
    • Número de escritórios:
      • 3
    • Quantidade de funcionários:
      • 50
    • Setor econômico em que atua:
      • cosméticos
    • Principais produtos:
      • linha hair care (produtos para cuidados dos cabelos)
    • Ícones (produto inesquecível):
      • NaatBrazilian Keratin Line e UltraKeratin Touch
    • Slogan:
      • All your hair can be
    • Website:

A internacionalização da nuNAAT

    • Exporta desde quando:
      • 2005
    • Projetos da Apex-Brasil dos quais já participou:
      • participantes ativamente do projeto Beautycare Brazil
    • Presença global:
      • fisicamente com escritórios/centros de distribuição em Miami/EUA e Dubai/EAU
    • Principais mercados internacionais:
      • Américas do Norte e Central, Caribe, Europa, África e Oriente Médio
    • Principais produtos exportados:
      • hair care (shampoos, condicionadores, máscaras, alisantes)

Apex-Brasil e nuNAAT

    • Projeto setorial ABIHPEC